O modelo “Work From Anywhere” (WFA) está a transformar o paradigma do trabalho, dando aos colaboradores a possibilidade de exercer funções a partir de qualquer local, incluindo fora do país onde estão contratados. Esta flexibilidade, cada vez mais valorizada, eleva os níveis de satisfação profissional — 76% dos trabalhadores sentem-se mais felizes, segundo um estudo da SAP Concur — e torna-se uma ferramenta estratégica de atração e retenção de talento, com 44% dispostos a mudar de empresa para ter esta possibilidade.
No entanto, esta nova realidade traz consigo complexos desafios de conformidade, que vão desde imigração e fiscalidade até à segurança social e legislação laboral. Um dos principais riscos prende-se com a falta de conhecimento dos trabalhadores: apenas 8% mostram preocupação com possíveis penalizações legais, apesar de 18% assumirem já ter trabalhado noutro país sem informar a entidade patronal.
A complexidade da conformidade num ambiente sem fronteiras
Para a consultora Deloitte, o cumprimento da legislação torna-se ainda mais exigente quando os colaboradores passam a trabalhar além-fronteiras. A necessidade de um conhecimento profundo da legislação local, aliada à implementação de políticas claras e procedimentos robustos de gestão da mudança, é essencial para evitar sanções financeiras, danos reputacionais e responsabilidades legais, como alerta Joe Logudic, da Deloitte.
A criação de políticas bem estruturadas e comunicadas é fundamental para garantir que os colaboradores compreendem as suas obrigações e os riscos associados ao WFA. Este envolvimento promove maior transparência e cooperação no seio da organização, mitigando riscos e protegendo a empresa.
O papel da tecnologia na gestão da força de trabalho global
Muitas empresas ainda dependem de processos manuais para aprovar pedidos de trabalho remoto e monitorizar a conformidade, o que sobrecarrega os departamentos de Recursos Humanos e financeiros. Segundo o estudo da SAP Concur, 54% dos líderes de RH admitem essa dependência excessiva.
A solução está na adoção de tecnologias inteligentes, capazes de integrar dados de viagens, despesas e localização para apoiar decisões informadas. Estas ferramentas não só automatizam processos, como fornecem insights estratégicos que permitem uma gestão proativa da conformidade.
Preparar as organizações para o futuro do trabalho
À medida que o WFA se consolida como prática permanente, as empresas devem desenvolver quadros de risco geridos, onde políticas flexíveis coexistam com mecanismos eficazes de controlo. Este equilíbrio é essencial para preservar a agilidade empresarial e, ao mesmo tempo, garantir a conformidade com as normas locais e internacionais.
Educar os colaboradores sobre os riscos e obrigações legais do trabalho remoto internacional e investir em processos automatizados serão passos cruciais para uma adaptação sustentável ao futuro do trabalho.