A Inteligência Artificial (IA) será o principal motor de transformação na forma como empresas e governos abordam a segurança, a privacidade e os critérios ESG, segundo as previsões apresentadas no IDC Security Summit 2025, que ontem decorreu no Estoril. No centro do debate estiveram os desafios emergentes num ecossistema digital cada vez mais automatizado, regulado e vulnerável a ameaças sofisticadas.
Para a IDC, a presença crescente da IA nos processos empresariais está a reconfigurar o conceito de confiança digital. A automatização de políticas de segurança com base em linguagem natural, a rastreabilidade de dados e a conformidade ética e legal dos modelos de IA são alguns dos pilares críticos da nova era da cibersegurança, conforme salientado por Bruno Horta Soares, conselheiro sénior da IDC Portugal.
IA: Potencial e risco em equilíbrio instável
A consultora antecipa um duplo impacto da IA: democratização da proteção, permitindo a profissionais não técnicos implementar medidas eficazes, e elevação do risco, através de novas formas de ataque, como deepfakes, phishing avançado ou malware autónomo. A gestão equilibrada deste binómio será determinante para a resiliência das organizações.
O evento destacou ainda a importância das embaixadas de dados, infraestruturas digitais seguras para salvaguarda de informação crítica, sobretudo em resposta às tensões geopolíticas e exigências regulatórias crescentes. Este conceito, aliado à soberania digital, deverá ganhar tração nos próximos anos como solução para preservar autonomia sobre dados sensíveis.
Previsões até ao final da década: confiança, transparência e auditoria
Entre as 10 previsões-chave do estudo FutureScape da IDC, destaca-se a exigência de auditorias completas aos modelos de IA, equiparando-os aos atuais requisitos de conformidade. A consultora prevê ainda a criação de Bill of Materials (BoM) para dados, frameworks para proteger informações pessoais em IA, e o crescimento dos serviços geridos de ESG. A convergência entre regulamentação de dados e sustentabilidade impulsionará também a procura por soluções certificadas de eliminação de dados.
A cibersegurança baseada em risco, aliada à transparência e responsabilidade digital, será a base da estratégia futura das empresas. A IDC alerta que a falta de avaliação dos riscos da GenAI poderá criar soluções frágeis e comprometer operações críticas.