Investimento em I&D desacelera na OCDE

Despesa em investigação e desenvolvimento abranda na OCDE em 2023, enquanto China se aproxima dos EUA com crescimento de 8,7%

Imagem de Tartila em Freepik

As despesas em Investigação e Desenvolvimento (I&D) cresceram 2,4% em termos reais na zona OCDE em 2023, refletindo um abrandamento face ao crescimento de 3,6% registado em 2022. Apesar da desaceleração, o investimento empresarial manteve-se como motor principal da I&D, representando 74% da despesa total, um aumento significativo face aos 66% observados em 2010.

Em contraste, a China registou um crescimento de 8,7% nas suas despesas de I&D, superando largamente as taxas da OCDE, dos Estados Unidos (1,7%) e da União Europeia (1,6%). Este desempenho permitiu à China atingir 96% do volume de I&D dos EUA (em paridade de poder de compra), reduzindo significativamente o fosso entre as duas maiores potências científicas do mundo.

Entre os países europeus, verificaram-se dinâmicas contrastantes: enquanto Alemanha (0,8%) e França (-0,5%) travaram a média da UE, Espanha e Polónia registaram crescimentos superiores a 8%. Em Irlanda, as despesas recuaram 2,4% após um ano anterior excecional. Fora da Europa, Japão (2,7%) e Coreia do Sul (3,7%) superaram a média da OCDE.

Apesar do abrandamento, a intensidade de I&D (despesa em percentagem do PIB) manteve-se estável nos 2,7% na OCDE e 2,1% na UE27, enquanto a China se aproximou dos níveis da OCDE, com 2,6% do PIB investidos em I&D em 2023.

Ao nível setorial, os Estados Unidos continuam líderes nos domínios empresarial e académico, embora a China já represente 95% e 74% desses valores, respetivamente. No setor governamental, a China ultrapassa claramente os EUA, investindo 1,6 vezes mais.

No que diz respeito ao financiamento, a contribuição das empresas para a I&D é agora superior na China em comparação com os EUA, enquanto o financiamento público e o proveniente do resto do mundo continua mais elevado nos Estados Unidos.

Por fim, as dotação orçamentais públicas (GBARD) para a I&D na OCDE registaram um forte abrandamento em 2023, crescendo apenas 0,6%, após os fortes estímulos de 2022 (5,5%). As incertezas quanto aos orçamentos de 2024, e a exclusão dos fundos da UE das estatísticas atuais, dificultam ainda uma leitura completa sobre o impacto no setor mais dependente do investimento público, como a energia e a defesa, onde o apoio aumentou significativamente.

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