Auditoria pode criar valor nas empresas, mas é usada como obrigação e não como ferramenta de decisão, defende Filomena Moreira.
A auditoria interna continua a ser encarada por muitas empresas como uma obrigação formal, quando poderia assumir um papel estratégico na gestão e na tomada de decisão. Essa é a principal tese de Filomena Moreira, autora do livro
Auditar para Criar Valor – Auditorias Internas a Sistemas de Gestão na Era Digital, que defende uma mudança de paradigma na forma como as organizações utilizam esta ferramenta.
Segundo a especialista, limitar a auditoria à verificação de requisitos representa uma perda significativa de valor para as empresas. “Na prática, estão a abdicar da capacidade de gerar conhecimento útil para melhorar o desempenho da organização”, afirma, sublinhando que esta abordagem impede a identificação de causas de problemas, a antecipação de riscos e a correção estruturada de práticas. O resultado, acrescenta, é a repetição de erros e uma evolução mais lenta do que seria possível.
A transformação da auditoria em instrumento de decisão passa por uma mudança de perspetiva. “Quando é utilizada como ferramenta de decisão, a auditoria permite transformar informação em ação, apoiar escolhas estratégicas e impulsionar uma melhoria contínua com impacto real no negócio”, explica.
Auditoria contínua com apoio da tecnologia
A integração da inteligência artificial e da digitalização está a acelerar essa mudança, permitindo que a auditoria deixe de ser um exercício pontual para passar a fazer parte do funcionamento contínuo das organizações.
De acordo com Filomena Moreira, estas tecnologias tornam possível evoluir para modelos de monitorização permanente, com definição de indicadores e pontos de controlo ao longo dos processos. “A auditoria deixa de ser um exercício isolado e passa a estar integrada no funcionamento diário da organização”, refere, permitindo identificar desvios e riscos com maior rapidez.
Este novo modelo aproxima a auditoria da gestão operacional, contribuindo para decisões mais informadas e para uma abordagem mais preventiva.
Da conformidade à decisão
Para os gestores e empreendedores, a mudança começa com uma alteração simples, mas estrutural, na forma de olhar para a auditoria. “Em vez de perguntar ‘estamos conformes?’, a questão deve passar a ser ‘o que nos dizem os dados da auditoria sobre o desempenho e o futuro do negócio?’”, afirma.
Essa mudança permite sair de uma lógica de controlo para uma lógica de análise e decisão, integrando a auditoria nos indicadores de gestão e utilizando os dados recolhidos para identificar tendências e apoiar escolhas concretas.
Quando ligada à estratégia e ao desempenho, conclui a autora, a auditoria deixa de ser um exercício formal e passa a assumir-se como “um verdadeiro instrumento de criação de valor para a organização”.