Bancos investem em IA, mas apenas uma minoria consegue converter essa aposta em crescimento de receitas, revela estudo global da KPMG.
A maioria dos bancos planeia reforçar o investimento em inteligência artificial, mas apenas uma minoria consegue transformar essa aposta em crescimento efetivo de receitas, segundo um novo estudo global da KPMG.
A inteligência artificial está a ganhar peso estratégico no setor bancário, mas os resultados financeiros continuam concentrados sobretudo na eficiência operacional. De acordo com o estudo
Intelligent Banking: A Blueprint for Creating Value Through AI-Driven Transformation, divulgado pela KPMG, 70% dos bancos planeiam aumentar o investimento em inteligência artificial, embora apenas 26% reportem crescimento de receita associado a esta tecnologia e só 20% indiquem um contributo elevado para resultados financeiros.
Segundo o relatório, a maioria das instituições financeiras está ainda a utilizar a IA sobretudo para automatização de processos, deteção de fraude, compliance e análise de dados, áreas onde o impacto imediato se traduz principalmente em redução de custos. Cerca de 66% dos bancos inquiridos afirmam já ter obtido poupanças operacionais com estas ferramentas.
“A maioria das instituições já investe, já testa e já obtém ganhos de eficiência, mas ainda não consegue transformar a IA num verdadeiro motor de crescimento e diferenciação”, afirma Rodrigo Lourenço, Partner Head of Financial Services da KPMG em Portugal.
O estudo indica ainda que 51% dos executivos bancários consideram que a inteligência artificial está a reconfigurar estruturalmente o negócio bancário, enquanto 80% acreditam que as instituições que adotarem esta tecnologia de forma eficaz ganharão vantagem competitiva significativa no futuro.
Apesar disso, persistem vários obstáculos à adoção em escala. Entre os principais desafios identificados estão a segurança e privacidade dos dados, a dificuldade em medir o retorno do investimento, a existência de sistemas legados e silos de informação, bem como limitações de tempo e recursos.
A análise da KPMG baseia-se num inquérito realizado a 1.390 decisores de topo em vários mercados, incluindo 183 executivos do setor bancário.