Bem-estar e IA redefinem o envolvimento dos trabalhadores
Empreendedor.com
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Mar 19, 2026
Bem-estar e IA redefinem o envolvimento dos trabalhadores e tornam-se fatores centrais na retenção de talento nas organizações.
Cegoc e ISCTE apresentaram estudo sobre cultura organizacional, que revela a perceção da tecnologia e modelos de trabalho como decisivos na retenção de talento.
O envolvimento dos trabalhadores está a ser cada vez mais determinado por fatores como o bem-estar psicológico, a cultura organizacional e a forma como a inteligência artificial é introduzida nas empresas, segundo a 10.ª edição do People Engagement Survey, desenvolvido pela Cegoc em parceria com o ISCTE Executive Education.
De acordo com o estudo, as políticas de bem-estar e a compatibilidade entre os valores dos colaboradores e os das organizações são atualmente os principais fatores explicativos do engagement, superando abordagens mais tradicionais centradas na função ou estabilidade. A qualidade da comunicação interna e a clareza estratégica também influenciam a ligação das pessoas às empresas.
A introdução da inteligência artificial surge como um fator diferenciador. Segundo os dados, o desenvolvimento de competências em IA está associado a níveis mais elevados de envolvimento, enquanto a perceção da tecnologia como ameaça contribui para o aumento da intenção de saída. “A forma como a transformação tecnológica é comunicada e liderada tem um impacto direto na relação das pessoas com a organização”, refere Gonçalo de Salis Amaral, Head of People & Culture Consulting da Cegoc.
O estudo identifica ainda o bem-estar psicológico como elemento central na prevenção do isolamento social e da chamada “saída silenciosa”. Organizações que investem em práticas de liderança positivas e coesão de equipa tendem a apresentar níveis mais elevados de envolvimento e menor desinvestimento por parte dos colaboradores.
Também o modelo de trabalho continua a evoluir. Contrariando algumas perceções, os dados indicam que o trabalho híbrido está associado a menores níveis de isolamento social e a maior bem-estar, enquanto modelos exclusivamente presenciais podem reforçar a desconexão entre equipas quando não promovem interação efetiva.
Segundo Henrique Duarte, professor do ISCTE Executive Education, “o envolvimento depende cada vez mais da qualidade da experiência de trabalho e da capacidade das organizações em equilibrar desempenho, inovação e humanização”.
Num contexto de transformação tecnológica e mudança geracional, o estudo conclui que a retenção de talento passa cada vez mais pela capacidade das organizações em criar culturas alinhadas com os valores das pessoas, integrar a tecnologia de forma positiva e estruturar experiências de trabalho mais humanas.
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