A creator economy está a evoluir para um mercado mais profissional, onde especialização e credibilidade substituem o simples alcance digital.
O crescimento da economia dos criadores digitais está a ser acompanhado por uma transformação estrutural: as marcas procuram cada vez mais perfis especializados e alinhados com nichos concretos, sinalizando uma nova fase de profissionalização deste mercado.
A chamada creator economy está a entrar numa nova fase de maturação, marcada por maior segmentação, exigência técnica e profissionalização dos perfis procurados pelas marcas. Se, numa fase inicial, o mercado premiava sobretudo a dimensão da audiência e a capacidade de gerar alcance, os dados mais recentes sugerem que essa lógica está a perder peso face a critérios como especialização, credibilidade e adequação temática.
Segundo uma análise da plataforma de creator marketing
Billo App, baseada em mais de 22 mil colaborações entre marcas e criadores, o número de profissionais disponíveis para trabalhar com marcas cresceu 160% no primeiro trimestre de 2026 face ao trimestre anterior, refletindo uma rápida expansão da oferta num mercado cada vez mais competitivo.
Da massificação à segmentação
O crescimento do número de criadores disponíveis está a tornar mais difícil a diferenciação num mercado onde algumas áreas já apresentam sinais de saturação. Setores tradicionalmente dominantes, como beleza e skincare, são hoje considerados mercados maduros, onde a concorrência elevada e a repetição de perfis tornam mais difícil a entrada de novos criadores.
Esta saturação está a empurrar muitos profissionais para nichos emergentes, onde existe maior espaço para crescimento e menor densidade concorrencial. Entre as áreas apontadas como mais promissoras estão inteligência artificial, software empresarial e conteúdos relacionados com GLP-1, categoria associada a medicamentos para controlo de peso e diabetes.
Nichos exigem novos perfis de criador
Ao contrário de setores mais tradicionais de influência digital, estas novas áreas exigem criadores com capacidade para explicar conceitos complexos, educar audiências e transmitir credibilidade técnica. O fenómeno está a alterar o próprio perfil de profissional procurado pelas marcas, favorecendo especialistas e perfis com conhecimento concreto sobre os temas abordados.
A tendência sugere uma aproximação crescente entre creator marketing e modelos mais tradicionais de consultoria ou media especializada, em que o valor deixa de estar apenas na exposição mediática e passa também pela capacidade de traduzir conhecimento em influência.
O fim da influência baseada apenas em seguidores
Outro dos sinais de maturação do setor está na crescente importância atribuída à performance mensurável das campanhas. Em vez de privilegiarem apenas criadores com grandes audiências, muitas marcas estão a procurar perfis mais pequenos, mas com maior afinidade temática e melhor capacidade de gerar conversão.
Esta mudança reflete uma profissionalização gradual do mercado, onde métricas de negócio, adequação estratégica e retorno sobre investimento começam a pesar mais do que a simples dimensão da comunidade de seguidores.
À medida que o setor amadurece, tudo indica que a creator economy deixará de funcionar como um mercado homogéneo para evoluir para um ecossistema segmentado, onde diferentes nichos exigirão competências, formatos e estratégias próprias — e onde o sucesso dependerá cada vez menos de notoriedade generalista e mais de posicionamento especializado.