Escassez de talento e custos estão a redefinir o trabalho nas empresas, com impacto na produtividade e na organização.
A escassez de talento qualificado e a pressão crescente sobre os custos estão a obrigar as empresas a repensar a organização do trabalho e os modelos de produtividade, num contexto de elevada incerteza económica.
De acordo com o mais recente
barómetro europeu da ERA Group, 23% das empresas portuguesas antecipam quebras na faturação em 2026, num cenário marcado por inflação persistente, tensões geopolíticas e disrupções nas cadeias de abastecimento. Este contexto está a intensificar a necessidade de ganhos de eficiência e a redefinir prioridades ao nível da gestão de pessoas e operações.
Segundo João Costa, country manager da ERA Group Portugal “já não basta encarar a redução de custos como única alavanca; é fundamental preparar as organizações para contextos voláteis, para o aumento dos encargos tecnológicos e para a escassez de talento qualificado”. O responsável sublinha que o crescimento sustentado depende de investimento no capital humano e de uma abordagem mais estratégica à gestão dos recursos.
A dificuldade em recrutar perfis especializados continua a ser um dos principais entraves ao crescimento empresarial. Dados do ManpowerGroup indicam que 82% das empresas em Portugal reportam dificuldades na contratação, com maior incidência nos setores industrial, tecnológico, serviços de IT, hotelaria, setor público e saúde. Esta escassez está a pressionar salários, prazos de execução e custos operacionais.
Em paralelo, a exigência de maior produtividade, muitas vezes com equipas mais reduzidas, está a acelerar a transformação dos modelos de trabalho. A adoção de tecnologias como inteligência artificial, blockchain ou Internet of Things surge como resposta à necessidade de automatizar tarefas e libertar recursos para funções de maior valor acrescentado. Estimativas citadas pela consultora apontam para a possibilidade de automatizar entre 20% e 40% das tarefas em diversos setores.
Num ambiente de volatilidade económica e geopolítica, as empresas estão também a encurtar ciclos de decisão e a reforçar a agilidade operacional. A capacidade de adaptação rápida a variações de mercado começa a assumir-se como fator crítico de competitividade, sobretudo em setores mais expostos à pressão de custos e à instabilidade nas cadeias de abastecimento.
Neste contexto, a reorganização do trabalho, a qualificação de talento e a eficiência operacional deixam de ser dimensões isoladas para se afirmarem como pilares interdependentes da sustentabilidade empresarial.