Desemprego Portugal fevereiro 2026: taxa sobe para 5,8%, mas inscritos no IEFP caem, revelando sinais contraditórios no mercado.
O mercado de trabalho português apresentou sinais contraditórios em fevereiro, com a taxa de desemprego a subir para 5,8%, segundo estimativas do Instituto Nacional de Estatística (INE), ao mesmo tempo que o desemprego registado nos centros de emprego recuou de forma generalizada.
De acordo com os
dados analisados pela Randstad Research, o número de pessoas empregadas diminuiu em 13.500 face a janeiro, uma quebra de 0,3% que representa o pior desempenho num mês de fevereiro desde 2020. Este recuo contribuiu para o aumento de 0,2 pontos percentuais na taxa de desemprego.
Em sentido inverso, os registos do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) indicam uma redução mensal de 1,8% no número de inscritos, com descidas transversais a todos os grupos profissionais e praticamente todas as regiões do país. Em termos homólogos, a queda é ainda mais expressiva, atingindo 9,8%.
A leitura conjunta dos dois indicadores sugere um abrandamento pontual do emprego, mas não uma deterioração estrutural do mercado de trabalho. Em comparação com fevereiro de 2025, o número de pessoas empregadas aumentou em mais de 100 mil (+2%), enquanto o desemprego diminuiu em cerca de 17 mil pessoas (-5%).
Também ao nível salarial, os dados mais recentes apontam para uma evolução positiva. A remuneração média declarada à Segurança Social em janeiro fixou-se nos 1.570,08 euros, refletindo um crescimento homólogo de 4,1%.
Segundo Isabel Roseiro, diretora de marketing da Randstad Portugal, “os números de fevereiro exigem uma leitura atenta” e mostram que, apesar do aumento mensal do desemprego, “a economia portuguesa mantém uma forte capacidade de absorver mão de obra nos mais diversos setores”.
A evolução recente indica, assim, um mercado de trabalho que continua a demonstrar resiliência em termos anuais, ainda que com sinais de abrandamento no curto prazo.