Regeneração ambiental ESG ganha espaço nas empresas como fator estratégico de risco e valor.
As empresas começam a integrar a regeneração ambiental nas suas estratégias ESG, numa evolução que reflete a crescente pressão regulatória, a exigência dos investidores e a necessidade de gerir riscos associados à sustentabilidade.
A biodiversidade e a regeneração de ecossistemas deixam, assim, de ser apenas temas associados à responsabilidade social para passarem a assumir um papel estratégico na criação de valor e na adaptação a um contexto económico e ambiental em transformação.
“Durante muito tempo as iniciativas ambientais foram vistas sobretudo como ações de responsabilidade social. Hoje começam a ser entendidas como decisões estratégicas”, afirma Bernardo Soares, responsável pela área One Health da
UPPartner, sublinhando que o investimento na regeneração de ecossistemas permite antecipar exigências ESG e reforçar a resiliência dos territórios.
Este movimento começa a materializar-se em iniciativas concretas, como a parceria entre a UPPartner e a Rewilding Portugal no Vale do Côa, onde estão a ser desenvolvidos projetos de recuperação de habitats, reintrodução de espécies e valorização económica do território.
Para além da dimensão ambiental, estas iniciativas procuram criar novas oportunidades económicas locais, incluindo turismo de natureza, apicultura e outras atividades compatíveis com a conservação, reforçando a ligação entre sustentabilidade e desenvolvimento económico.
A evolução do enquadramento regulatório e a crescente atenção de stakeholders estão a acelerar esta tendência, levando as empresas a incorporar fatores ambientais nas suas decisões estratégicas de forma mais estruturada e integrada.
“Quando falamos de regeneração ecológica estamos a falar de muito mais do que natureza. Estamos a falar de territórios, de comunidades e da forma como pensamos o desenvolvimento económico no longo prazo”, acrescenta Bernardo Soares.
À medida que os critérios ESG ganham peso na avaliação das organizações, iniciativas ligadas à regeneração ambiental deverão assumir um papel crescente na estratégia empresarial, num movimento que aponta para uma redefinição da relação entre empresas, território e natureza.