Economia portuguesa estagna com choque energético e clima, afetando competitividade das empresas.
Economia portuguesa estagnou no primeiro trimestre de 2026, pressionada por choques energéticos e fenómenos climáticos, segundo o Barómetro CIP/ISEG. Empresas enfrentam perda de competitividade face a outros países europeus.
A economia portuguesa registou uma variação em cadeia nula no primeiro trimestre de 2026, refletindo um abrandamento da atividade num contexto marcado por choques energéticos e fenómenos climáticos extremos, segundo o Barómetro de Conjuntura Económica da CIP — Confederação Empresarial de Portugal e do ISEG.
De acordo com a análise, as tempestades e inundações registadas no início do ano condicionaram a produção e a atividade em vários setores, com impacto direto na indústria e nos serviços. Em paralelo, a escalada do conflito no Médio Oriente contribuiu para um aumento significativo dos preços da energia, agravando os custos de produção e pressionando o investimento e o consumo.
Segundo Rafael Alves Rocha, diretor-geral da CIP, “a persistência do choque no preço dos produtos energéticos tenderá a propagar-se à economia, aumentando os custos de produção de forma transversal, condicionando as decisões de investimento e impactando o rendimento disponível das famílias”.
Os dados do barómetro indicam ainda uma deterioração da confiança dos consumidores e do sentimento económico ao longo do primeiro trimestre, com agravamento em março. A produção industrial registou quebras significativas, enquanto alguns indicadores setoriais, como as vendas de cimento e o setor automóvel, mostraram sinais pontuais de resiliência.
A CIP alerta que o impacto do choque energético poderá prolongar-se no tempo, ao contrário dos efeitos dos fenómenos climáticos, que tendem a concentrar-se no curto prazo. Neste contexto, a organização empresarial sublinha o risco de perda de competitividade das empresas portuguesas face a outros países europeus.
“A assimetria entre os apoios disponibilizados em Portugal e as fortes medidas adotadas noutros países, como a Espanha, estão a criar problemas de competitividade das empresas portuguesas no mercado global”, afirma Rafael Alves Rocha, defendendo a necessidade de apoios diretos às empresas mais expostas aos custos energéticos.
Num enquadramento externo marcado pela volatilidade dos preços do petróleo e do gás, a evolução da economia portuguesa dependerá, segundo o barómetro, da capacidade de mitigação destes choques e da resposta das políticas públicas ao impacto nos custos energéticos e na atividade empresarial.
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