Escassez de competências em IA leva setor financeiro a reforçar formação, com 94% das empresas a procurar talento nesta área.
A escassez de competências em inteligência artificial está a levar o setor financeiro a reforçar a formação dos seus profissionais, num contexto em que 94% das empresas identificam esta como a competência técnica mais procurada, segundo dados da Financial Services Skills Commission.
Perante este défice de talento, a International Compliance Association anunciou uma parceria com a
Zango AI para lançar programas de formação em IA dirigidos a profissionais de compliance e serviços financeiros. O objetivo passa por capacitar equipas para lidar com um ambiente regulatório e tecnológico cada vez mais exigente.
De acordo com o comunicado, a formação terá um foco prático na aplicação da inteligência artificial em contextos regulados, incluindo áreas como governação, gestão de risco e utilização responsável destas tecnologias. A Zango AI será responsável pelo desenvolvimento dos conteúdos, enquanto a ICA assegura a sua disseminação junto da sua rede global, que ultrapassa os 30 mil membros em 155 países.
“A inteligência artificial e os sistemas agentic têm um enorme potencial para melhorar a produtividade e reforçar o compliance no setor financeiro, mas existe ainda uma lacuna de competências”, afirma Ritesh Singhania, acrescentando que muitas equipas não receberam formação prática para operar estas tecnologias.
A crescente pressão regulatória e a complexidade dos sistemas financeiros estão a acelerar a necessidade de requalificação. Algumas instituições, como o Banco BPI e o Santander, começaram já a investir em programas de formação em larga escala, sinalizando uma mudança estrutural na forma como o setor encara a integração da inteligência artificial.
No âmbito desta parceria, os membros da ICA terão ainda acesso a uma versão piloto da plataforma da Zango AI, permitindo contacto direto com ferramentas de IA aplicadas a tarefas como monitorização regulamentar e análise de lacunas em políticas internas.
O reforço da formação em inteligência artificial surge, assim, como uma resposta à transformação do compliance financeiro, num momento em que a adoção destas tecnologias se torna cada vez mais central para a competitividade e para o cumprimento das exigências regulatórias.