Europa capta só 5% do investimento global em quantum
Empreendedor.com
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Mar 27, 2026
Europa capta 5% do investimento em quantum, face a 50% nos EUA, antes do lançamento do Quantum Act.
A Europa capta apenas 5% do investimento privado global em tecnologias quânticas, em contraste com os 50% concentrados nos Estados Unidos, segundo dados da Comissão Europeia, num momento em que Bruxelas prepara o lançamento do Quantum Act.
O novo enquadramento regulatório europeu, cuja primeira proposta deverá ser apresentada no segundo trimestre de 2026, pretende posicionar a União Europeia como líder em tecnologia quântica, mas enfrenta desafios estruturais ao nível do financiamento e da fragmentação do mercado.
Apesar do crescente interesse dos investidores — com fundos dedicados como o da francesa Quantonation, que levantou 220 milhões de euros, ou o fundo de 300 milhões da dinamarquesa 55North — o capital privado continua limitado no ecossistema europeu.
Daiva Rakauskaitė, gestora de fundo e parceira da Aneli Capital, alerta que a Europa arrisca repetir no quantum o atraso registado na inteligência artificial. “Se a Europa não quiser perder a corrida quântica para os Estados Unidos e a China, deve permitir que as startups avancem rapidamente e evitar uma carga regulatória excessiva num mercado ainda em formação”, afirma.
A responsável defende que, além de regulação, será necessário mobilizar mais capital privado, nomeadamente através de investidores institucionais como fundos de pensões, que atualmente representam apenas uma pequena parte do financiamento de venture capital na Europa.
Segundo estimativas da McKinsey, as tecnologias quânticas — incluindo computação, comunicação e sensores — poderão gerar até 97 mil milhões de dólares em receitas globais até 2035, com impacto esperado em setores como a indústria farmacêutica, finanças e cibersegurança.
Num contexto de crescente competição tecnológica global, a capacidade da Europa transformar investigação em aplicações comerciais e escalar financiamento privado será determinante para evitar uma nova dependência estratégica.
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