Falta de talento na construção atinge 83% das empresas e ameaça crescimento do setor em Portugal, segundo o ManpowerGroup.
83% das empresas de construção e imobiliário enfrentam dificuldades em contratar, num cenário que já está a condicionar o crescimento do setor em Portugal.
A escassez de talento está a tornar-se um dos principais obstáculos ao crescimento do setor da construção e imobiliário em Portugal. De acordo com o
Global Talent Shortage Survey 2026, do ManpowerGroup, 83% dos empregadores nacionais do setor revelam dificuldades em encontrar profissionais com as qualificações necessárias, um valor 12 pontos percentuais acima da média global.
Este é o quarto setor com maiores dificuldades de recrutamento no país, apenas superado pela indústria, hotelaria e restauração e pelos serviços públicos e sociais, evidenciando um problema transversal à economia, mas particularmente crítico numa área fortemente dependente de mão de obra qualificada.
A dimensão do problema é estrutural. Segundo dados da AICCOPN, citados no estudo, faltam mais de 80 mil profissionais no setor, num contexto marcado por uma força de trabalho envelhecida e por uma reduzida capacidade de atração de novas gerações.
“A dificuldade em encontrar profissionais qualificados na construção e imobiliário reflete o desafio do setor em alinhar disponibilidade de talento com as necessidades do mercado”, afirma Daniela Lourenço, Brand Leader da Manpower Portugal. A responsável sublinha que “este é um problema estrutural, com impacto em toda a cadeia de valor, e traduz um risco significativo para o desenvolvimento de um setor que tem mostrado um grande dinamismo, apoiado por investimento nacional e internacional”.
As dificuldades de recrutamento abrangem diferentes níveis de qualificação. As competências mais difíceis de encontrar são as de engenharia (24%), seguidas por operações e logística (23%) e indústria e produção (21%), refletindo a necessidade simultânea de técnicos especializados e de perfis operacionais capazes de garantir a execução dos projetos.
Perante este cenário, as empresas começam a ajustar as suas estratégias. Cerca de 27% estão a investir na requalificação das suas equipas, através de programas de upskilling e reskilling, enquanto a mesma percentagem aponta o aumento salarial como forma de atrair e reter talento. A oferta de maior flexibilidade laboral surge também como resposta, ainda que com menor expressão.
Os dados indicam que a escassez de talento deixou de ser apenas um desafio de recursos humanos para se tornar um fator crítico de execução. Num setor que tem sido impulsionado por investimento e procura, a incapacidade de preencher funções essenciais poderá traduzir-se em atrasos, aumento de custos e limitação do crescimento nos próximos anos.