Escassez de talento trava crescimento no setor aeroespacial e de defesa, com impacto direto na produtividade.
A escassez de profissionais qualificados está a limitar a capacidade de crescimento do setor aeroespacial e de defesa, num momento de forte aumento do investimento global impulsionado por tensões geopolíticas.
O crescimento da indústria aeroespacial e de defesa está a ser condicionado pela dificuldade em recrutar talento qualificado, num contexto de reforço do investimento global impulsionado pela instabilidade geopolítica. A conclusão é do
Global Insights Whitepaper do ManpowerGroup, que identifica a escassez de competências como um dos principais entraves à capacidade produtiva do setor.
De acordo com o estudo, 88% dos empregadores industriais em Portugal reportam dificuldades em encontrar profissionais qualificados, um valor acima da média global, refletindo a pressão crescente sobre o mercado de trabalho num setor cada vez mais exigente em termos técnicos.
O impacto económico desta escassez é significativo. Segundo o ManpowerGroup, um fabricante médio do setor pode perder até 330 milhões de dólares por ano devido a ineficiências associadas à falta de talento, evidenciando a relação direta entre disponibilidade de competências e produtividade.
O estudo surge num momento em que os governos, em particular na Europa, estão a reforçar os orçamentos de defesa e a acelerar investimentos em capacidade industrial. Em paralelo, a recuperação da procura por viagens aéreas está a aumentar a pressão sobre a produção aeroespacial, ampliando a necessidade de mão-de-obra qualificada.
A transformação tecnológica do setor contribui igualmente para este cenário. A adoção de soluções baseadas em inteligência artificial, robótica e análise de dados está a redefinir os perfis profissionais exigidos. Segundo o relatório, 81% das empresas com fabrico avançado planeiam recorrer à IA para otimizar processos, enquanto a utilização de sistemas automatizados e interligados exige competências técnicas cada vez mais especializadas.
Ao mesmo tempo, a reorganização das cadeias de abastecimento, com estratégias de reshoring e nearshoring, está a concentrar a produção em geografias onde a escassez de talento já é elevada, agravando as dificuldades de recrutamento. Globalmente, 75% dos empregadores reportam dificuldades em encontrar competências adequadas, valor que sobe para 84% no caso português no contexto das cadeias de abastecimento.
A crescente digitalização do setor está também a aumentar a exposição a riscos de cibersegurança, reforçando a procura por perfis especializados nesta área. Em 2024, as empresas industriais representaram 25% dos alvos de ciberataques a nível global, o que intensifica a necessidade de talento qualificado para proteger infraestruturas críticas.
Perante este cenário, o ManpowerGroup conclui que o investimento em formação, requalificação e planeamento estratégico da força de trabalho será determinante para garantir a capacidade de resposta do setor. Sem uma base de talento adequada, o crescimento impulsionado pelo contexto geopolítico e pela inovação tecnológica poderá enfrentar limitações estruturais.