As fusões e aquisições no setor bancário atingiram 212 mil milhões de dólares em 2025. Segundo a Bain & Company, o setor entrou numa nova fase de consolidação que combina escala e diversificação tecnológica.
O mercado global de fusões e aquisições (M&A) no setor bancário registou uma forte aceleração em 2025, atingindo um volume total de 212 mil milhões de dólares e entrando numa nova fase de consolidação estratégica. A conclusão consta do mais recente
relatório global de M&A da Bain & Company.
De acordo com o estudo, o setor financeiro está a adotar uma estratégia que combina aumento de escala com diversificação de capacidades tecnológicas e de serviços, um modelo que a consultora designa como “dupla hélice”. Esta abordagem permite reforçar a eficiência operacional, acelerar a transformação digital e criar novas fontes de crescimento.
Segundo a Bain & Company, as operações realizadas em 2025 que combinaram simultaneamente escala e diversificação registaram, em média, cerca de 30% melhores ganhos de valorização face a transações focadas apenas numa destas dimensões.
Durante a última década, muitas operações de fusão ou aquisição no setor bancário focaram-se sobretudo em objetivos isolados, como aumentar a dimensão para ganhar eficiência ou adquirir novas competências digitais. O relatório indica que a tendência atual aponta para uma integração destas duas estratégias.
“A próxima fase de consolidação bancária não será apenas sobre dimensão, mas sobre a capacidade de integrar tecnologia, talento e novos modelos de negócio. É essa combinação que está a distinguir as operações que geram mais valor”, afirma Francisco Montenegro, sócio da Bain & Company.
A atividade de fusões e aquisições no setor bancário tinha abrandado nos últimos anos devido à incerteza regulatória e ao contexto macroeconómico. Segundo a consultora, a estabilização do ciclo de taxas de juro, a melhoria das margens financeiras e o reforço dos rácios de capital criaram novamente condições para decisões estratégicas de consolidação.
“Após um período marcado por volatilidade regulatória e incerteza macroeconómica, a estabilização do ciclo de taxas de juro voltou a abrir espaço para decisões estratégicas de consolidação no setor bancário”, acrescenta Francisco Montenegro.
Na Europa, vários movimentos recentes ilustram esta tendência de consolidação com reforço de capacidades tecnológicas e diversificação de serviços, como a fusão entre o CaixaBank e o Bankia em Espanha ou a aquisição da LeasePlan pela ALD, agora Ayvens.
Segundo o relatório, num mercado como o português — caracterizado por elevada concentração e pressão estrutural sobre margens — a combinação entre escala, eficiência e inovação tecnológica poderá ganhar relevância estratégica nos próximos anos, à medida que os bancos procuram responder à concorrência das fintechs e a novos operadores digitais.