Geração Z força mudança nas práticas de recrutamento, com equilíbrio e propósito a ganhar peso na escolha de emprego.
A entrada da Geração Z no mercado de trabalho está a acelerar uma mudança estrutural nas práticas de recrutamento, obrigando as empresas a ajustar a sua proposta de valor num contexto de escassez de talento.
Num mercado próximo do pleno emprego, os candidatos assumem um papel cada vez mais ativo e exigente nas decisões de carreira, pressionando as organizações a ir além do salário como principal fator de atração.
De acordo com o Deloitte Gen Z & Millennial Survey 2025, mais de 85% dos profissionais da Geração Z valoriza o alinhamento com os valores e propósito da empresa, bem como oportunidades de desenvolvimento contínuo. Já o Randstad Employer Brand Research 2025 indica que, embora o salário e os benefícios continuem a liderar as prioridades (74%), fatores como equilíbrio entre vida pessoal e profissional (64%) e ambiente de trabalho positivo (64%) assumem um peso decisivo.
Esta evolução está a redefinir a forma como as empresas estruturam os seus processos de recrutamento, com abordagens mais segmentadas e ajustadas a diferentes perfis profissionais. Em áreas técnicas e operacionais, fatores como estabilidade e compensação direta continuam a ser determinantes, enquanto em perfis mais especializados, como engenharia e IT, ganham relevância o propósito, a flexibilidade e a progressão de carreira.
Segundo Vera Vicente, Diretora de Recrutamento e Outsourcing da
Wondercom, “as empresas já não conseguem atrair talento apenas com um salário competitivo”, sendo necessário compreender e responder às prioridades reais dos candidatos.
A mudança reflete uma inversão gradual do equilíbrio de poder no mercado de trabalho, em que a capacidade de adaptação das empresas às expectativas dos profissionais se torna um fator crítico para garantir a atração e retenção de talento qualificado.