Sistemas com IA e drones reforçam a segurança marítima e a proteção de infraestruturas críticas em contexto de tensão global.
A crescente pressão sobre rotas marítimas e infraestruturas críticas está a acelerar a adoção de sistemas autónomos e inteligência artificial na segurança naval, num contexto de maior competição geopolítica e risco para cadeias logísticas globais.
A Thales anunciou o lançamento de um
novo sistema de contramedidas de minas, desenvolvido para operar em ambientes expedicionários e integrar meios tripulados e não tripulados. A solução permite às forças navais detetar, classificar e neutralizar ameaças subaquáticas em tempo real, incluindo em zonas de elevada complexidade operacional.
Segundo a empresa, o sistema utiliza algoritmos de inteligência artificial para processar dados de sonar até quatro vezes mais rápido do que ferramentas convencionais, atingindo níveis de precisão na ordem dos 99%. Esta capacidade permite reduzir o tempo de resposta e aumentar a eficácia na proteção de infraestruturas estratégicas, como portos, cabos submarinos e rotas comerciais.
A adoção destas tecnologias surge num momento em que os mares são descritos como “cada vez mais disputados”, com impactos diretos na segurança energética, no comércio internacional e na resiliência das cadeias de abastecimento.
Sébastien Guérémy, Vice-Presidente de Sistemas de Guerra Subaquática da Thales, sublinha que “as contramedidas de minas tornaram-se fundamentais para garantir a soberania e a segurança de infraestruturas críticas e rotas de comunicação marítimas”, destacando o papel da automação e da inteligência artificial na resposta a ameaças emergentes.
O sistema já foi entregue a várias marinhas, incluindo a francesa e a britânica, e selecionado por Singapura, refletindo uma tendência crescente de investimento em capacidades autónomas para operações navais.
Num cenário de crescente dependência de infraestruturas subaquáticas — desde cabos de dados a redes energéticas — a capacidade de monitorizar e proteger o domínio marítimo tende a afirmar-se como um dos novos pilares da segurança económica global.