Líderes empresariais defendem que a nova fase geopolítica e tecnológica exige decisões mais rápidas, foco estratégico e integração estrutural da inteligência artificial nas empresas.
A crescente instabilidade geopolítica e a aceleração tecnológica estão a redefinir as prioridades da gestão empresarial, exigindo líderes mais ágeis, decisões estratégicas mais rápidas e uma integração estrutural da inteligência artificial nas organizações.
Este foi um dos principais consensos do
The Lisbon MBA Católica|Nova Alumni Unite Summit 2026, que reuniu mais de 300 participantes entre líderes empresariais, académicos e decisores públicos na Nova SBE, em Carcavelos, para discutir os desafios da liderança num contexto global de transformação.
Durante o encontro, vários intervenientes defenderam que o atual momento económico representa uma mudança de ciclo, marcada pela reconfiguração das cadeias de valor, pela crescente pressão regulatória e por novas tensões geopolíticas que afetam diretamente as estratégias das empresas.
Na keynote de abertura, José Maria Pimentel, host do podcast 45 Graus, enquadrou este contexto como o fim de um período de relativa estabilidade económica global. Segundo o economista, após décadas dominadas pela globalização e pelo crescimento sustentado, as empresas enfrentam agora um cenário em que as prioridades estratégicas estão a ser redefinidas e a incerteza se tornou estrutural.
Neste ambiente, a agilidade organizacional foi identificada como uma condição essencial para a competitividade. Setores como retalho, saúde, energia, imobiliário ou tecnologia enfrentam desafios semelhantes, desde a reorganização das cadeias de abastecimento até à crescente utilização de instrumentos económicos como ferramentas de pressão geopolítica.
Outro tema central do encontro foi a integração da inteligência artificial nos modelos de negócio. Nos debates dedicados à tecnologia, com representantes de empresas como a Microsoft e a Cisco, foi defendido que a vantagem competitiva não dependerá apenas da adoção de novas ferramentas, mas da capacidade das organizações para integrar sistemas inteligentes nos processos de decisão e combinar essas tecnologias com pensamento crítico humano.
Também o setor da saúde foi identificado como um dos domínios onde a inteligência artificial poderá ter maior impacto, nomeadamente na redução de erros clínicos e na melhoria da eficiência dos sistemas, desde que acompanhada por interoperabilidade de dados e reengenharia de processos.
Para vários participantes, a transformação atual não é apenas tecnológica, mas também estratégica. O foco no “core” do negócio foi apontado como uma disciplina essencial de liderança num contexto em que a multiplicação de oportunidades tecnológicas pode dispersar recursos e investimento.
A discussão destacou igualmente as oportunidades estruturais para Portugal na nova economia digital e energética. A disponibilidade de energia renovável, a conectividade internacional através de cabos submarinos e a estabilidade institucional foram identificadas como fatores que podem reforçar o posicionamento do país como hub europeu para infraestruturas digitais, nomeadamente data centers.
Segundo Luís Rodrigues, Chief Operating Officer da Start Campus, o crescimento da procura global por estas infraestruturas representa uma oportunidade relevante para Portugal, com potencial impacto na criação de emprego qualificado e na dinamização económica de regiões como Sines.
No encerramento do encontro, Filipe Santos, Dean da CATÓLICA-LISBON, sublinhou que o atual contexto exige líderes capazes de combinar ambição empresarial com responsabilidade social e visão sistémica. Já Pedro Oliveira, Dean da Nova SBE, destacou o papel da educação executiva na preparação de gestores capazes de liderar organizações num ambiente de elevada complexidade.
O Alumni Unite Summit voltou assim a afirmar-se como um espaço de reflexão estratégica sobre liderança e competitividade, reunindo empresas, academia e decisores públicos para debater os desafios da economia global em transformação.