Menos vendas e decisões mais lentas marcam nova fase do imobiliário
Empreendedor.com
Economia
25 Abr 2026
Menos vendas e decisões mais lentas marcam nova fase do imobiliário, com pressão dos preços e maior cautela dos compradores.
O mercado imobiliário português entrou numa nova fase, marcada por menos transações e decisões de compra mais cautelosas, num contexto de pressão crescente entre preços e rendimentos das famílias.
No primeiro trimestre de 2026, o número de casas vendidas recuou cerca de 8%, apesar de o volume de vendas da Century 21 Portugal ter crescido 9% face ao período homólogo. Em paralelo, o preço médio de venda subiu 22% em termos anuais, mas registou uma descida face ao último trimestre de 2025, sinalizando um possível ponto de inflexão no mercado.
Segundo Ricardo Sousa, CEO da Century 21 Portugal, “os dados do primeiro trimestre confirmam um mercado mais condicionado pelo poder de compra”, sublinhando que “a desaceleração não resulta de uma quebra estrutural da procura, mas sim de uma tomada de decisão mais lenta e um desfasamento crescente entre preços e rendimentos”.
Esta mudança traduz-se num comportamento mais seletivo por parte dos compradores, com maior sensibilidade ao preço e uma preferência crescente por soluções alternativas à compra. O segmento de arrendamento registou um aumento de 6% no número de transações, refletindo essa adaptação das famílias a um contexto financeiro mais exigente.
“Quem continua a mover o mercado são os portugueses, sobretudo através da troca de casa”, afirma Ricardo Sousa, destacando o peso crescente da procura interna, que representou 87% das transações no período, o valor mais elevado desde 2019.
A menor dinâmica do investimento estrangeiro reforça esta tendência, num momento em que o mercado passa a depender mais dos ciclos de vida das famílias e menos de fatores externos.
Para o responsável, a evolução recente não indica uma quebra abrupta da atividade, mas sim uma fase de ajustamento. “A procura não desaparece; apenas se adapta”, afirma, acrescentando que “um agravamento significativo só seria expectável se a Euribor subisse de forma sustentada acima de 3,5% ou se o desemprego se aproximasse dos 8%”.
A Century 21 antecipa, assim, a continuidade de um mercado mais contido nos próximos meses, com estabilização dos preços e manutenção de níveis de transação em linha ou ligeiramente abaixo do ano anterior, refletindo uma nova etapa de maior equilíbrio entre oferta, procura e capacidade financeira das famílias.
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