Mercado de trabalho abranda em 2026 com a maior queda trimestral do emprego dos últimos cinco anos em Portugal.
O mercado de trabalho português registou no primeiro trimestre de 2026 a maior quebra trimestral do emprego dos últimos cinco anos, num sinal de abrandamento após vários ciclos de crescimento. Segundo dados analisados pela
Randstad Portugal com base no Inquérito ao Emprego do INE, o número de pessoas empregadas caiu em 38.700 face ao trimestre anterior, reduzindo a população empregada para 5,3 milhões de pessoas.
A desaceleração contribuiu para uma subida da taxa de desemprego para 6,1%, mais 0,3 pontos percentuais do que no trimestre anterior. A quebra incidiu sobretudo sobre os trabalhadores por conta de outrem, que recuaram em 43,6 mil pessoas, enquanto o número de trabalhadores independentes aumentou em 4.900.
A análise mostra também diferenças significativas entre setores de atividade. A indústria foi o único setor a registar crescimento líquido de emprego no trimestre, com mais 4.200 profissionais, contrariando a tendência geral de retração do mercado laboral.
O abrandamento foi particularmente visível entre os trabalhadores dos 45 aos 54 anos e entre os 25 e os 34 anos. Em sentido contrário, os profissionais entre os 65 e os 89 anos voltaram a crescer, registando o maior aumento homólogo entre todos os grupos etários.
Outro dos sinais identificados prende-se com a redução do número de pessoas com mais do que um emprego. Depois de uma década de crescimento acumulado de 46,5%, o número de trabalhadores com atividades múltiplas recuou 1,6%, abrangendo agora cerca de 279 mil pessoas. Segundo a Randstad Research, esta tendência poderá indicar menor disponibilidade de atividades complementares que funcionavam como reforço de rendimento para muitas famílias.
O teletrabalho continua a representar uma parte relevante da organização laboral em Portugal, abrangendo 21,1% da população empregada. Contudo, persistem fortes assimetrias regionais. Na Grande Lisboa, um em cada três trabalhadores exerce funções remotamente, enquanto nos Açores essa proporção desce para 9,1%.
Isabel Roseiro, Diretora de Marketing e Comunicação da Randstad Portugal, considera que “este trimestre marca um ajuste necessário após ciclos de forte expansão”, defendendo que “a força do mercado reside na sua diversidade”, destacando o crescimento do trabalho independente e da indústria.