Portugal trabalha mais do que a UE, mas mantém elevada percentagem de trabalhadores com baixas qualificações.
Portugal regista níveis de participação no mercado de trabalho superiores à média europeia, mas continua a enfrentar fragilidades estruturais, nomeadamente na qualificação da força laboral e na intensidade dos horários, segundo um
estudo da Randstad Portugal com base em dados do Eurostat relativos ao quarto trimestre de 2025.
De acordo com a análise, a taxa de atividade em Portugal atingiu 79,1%, superando a média da União Europeia em 3,5 pontos percentuais, enquanto a taxa de emprego se fixou nos 72,8% em 2024. Já o desemprego situou-se nos 5,8% no final de 2025, ligeiramente abaixo da média europeia.
Apesar destes indicadores positivos, o país apresenta a maior percentagem de trabalhadores com baixas qualificações na União Europeia, com 29,1%, o dobro da média europeia. Em paralelo, 9,1% dos trabalhadores têm horários mais longos do que o habitual, colocando Portugal entre os países onde mais se trabalha.
O estudo identifica ainda um desequilíbrio geracional, com a taxa de desemprego jovem a ser 3,4 vezes superior à taxa global, acima da média europeia, evidenciando dificuldades na integração dos mais jovens no mercado de trabalho.
“Ainda existem desafios importantes, como a elevada percentagem de trabalhadores com baixas qualificações, uma cultura de horários longos e a dificuldade dos jovens em entrar no mercado de trabalho”, afirma Isabel Roseiro, diretora de marketing da Randstad Portugal.
A análise destaca também o crescimento do peso de trabalhadores estrangeiros, que representam 7,9% da população ativa, ainda abaixo da média europeia, mas com tendência de aumento, refletindo a crescente importância da imigração para a sustentabilidade do mercado de trabalho.
Apesar das fragilidades, a evolução histórica aponta para uma melhoria significativa das qualificações, com a proporção de trabalhadores com ensino superior a aumentar de forma consistente nas últimas décadas, ainda que Portugal permaneça abaixo dos países mais avançados da União Europeia.