Subida do gás na Europa volta a pressionar produtores de fertilizantes, com impacto nos custos e incerteza sobre recuperação de margens.
A subida de cerca de 60% no preço do gás natural na Europa voltou a pressionar os produtores europeus de fertilizantes, com a OCI a admitir incerteza sobre a capacidade de compensar o aumento dos custos.
A recente subida de cerca de 60% no preço do gás natural na Europa voltou a expor a vulnerabilidade dos produtores europeus de fertilizantes ao custo da energia, segundo a OCI Global, grupo com atividade no setor do azoto.
Na apresentação dos resultados de 2025, a empresa refere que os desenvolvimentos geopolíticos no Médio Oriente provocaram um aumento “imediato e significativo” dos preços do gás europeu, com impacto direto nos custos de produção da sua unidade europeia de azoto, a
OCI Nitrogen.
Embora os preços dos fertilizantes também tenham subido, a empresa sublinha que existe normalmente um desfasamento temporal entre a subida dos custos da matéria-prima e a repercussão desse aumento nos preços de venda. Por isso, considera ser ainda prematuro avaliar até que ponto a subida do preço dos fertilizantes permitirá compensar os custos energéticos acrescidos.
O alerta surge num momento em que a OCI reportou uma melhoria operacional no negócio europeu de azoto. Em 2025, a área de European Nitrogen registou um EBITDA ajustado de 87 milhões de dólares, acima dos 55 milhões registados em 2024.
Ainda assim, o grupo reconhece que uma manutenção prolongada dos preços elevados do gás poderá voltar a pressionar a rentabilidade da produção europeia de fertilizantes, num setor em que a energia continua a ser um dos principais fatores de custo.
A leitura da empresa reforça uma fragilidade que se mantém na indústria europeia: mesmo quando a operação melhora, a escalada do gás natural pode voltar a comprometer margens, previsibilidade e competitividade.