Reparação de eletrónicos cresce em Portugal e reduz resíduos, refletindo nova tendência de consumo tecnológico.
Procura por reparação de dispositivos cresce em Portugal, refletindo mudança no consumo tecnológico e maior atenção à sustentabilidade, segundo dados de operadores do setor.
A reparação de equipamentos eletrónicos está a ganhar expressão em Portugal, num contexto marcado pelo aumento do custo dos dispositivos e pela crescente preocupação ambiental. Dados divulgados pela
iServices indicam que mais de 1 milhão de clientes recorreram a serviços de reparação e recondicionamento em 2025, sinalizando uma mudança gradual no comportamento dos consumidores.
De acordo com a empresa, foram intervencionados mais de 360 mil equipamentos — entre smartphones, tablets e computadores — o equivalente a cerca de 986 dispositivos por dia. Face a 2024, os serviços técnicos cresceram 36%, as reparações 31% e o recondicionamento 52%, refletindo uma procura crescente por soluções que prolonguem a vida útil dos dispositivos.
Este movimento tem também implicações ambientais. Segundo os dados comunicados, a extensão do ciclo de vida destes equipamentos terá evitado cerca de 72 toneladas de resíduos eletrónicos ao longo do ano. A empresa estima ainda poupanças relevantes em termos de água, emissões de carbono e utilização de recursos naturais, embora estas métricas resultem da aplicação de rácios médios baseados em estudos de ciclo de vida de dispositivos digitais.
Em paralelo, a iServices reporta uma pegada carbónica total de 61.909 toneladas de CO2 equivalente em 2025, sendo que a quase totalidade das emissões está associada à cadeia de valor, nomeadamente à aquisição de bens e serviços e ao transporte a montante. Já as emissões diretas e associadas ao consumo de eletricidade representam uma fração residual, segundo a empresa, que destaca a adoção de energia verde e uma frota totalmente elétrica.
Para Bruno Borges, CEO da iServices, “a circularidade não é abstrata. É trabalho real, com escala, procura e impacto mensurável”, sublinhando que o foco da empresa passa por “prolongar a vida útil dos equipamentos e reforçar a qualidade dos dados que suportam a gestão ESG”.
A evolução deste segmento acompanha uma tendência mais ampla de valorização de modelos de economia circular, num momento em que consumidores e empresas procuram equilibrar custo, utilidade e impacto ambiental no consumo tecnológico.