Retalho português continua atrasado na digitalização, com muitas PME ainda sem presença digital ou vendas online.
Grande parte das PME do comércio e retalho em Portugal continua a operar com baixos níveis de digitalização, num contexto de pressão sobre margens, custos operacionais e transformação do consumo.
O retalho português continua a apresentar níveis desiguais de digitalização, apesar do crescimento do setor e da aceleração do comércio digital nos últimos anos. Segundo dados citados pela Logista Strator, cerca de 45% das PME do comércio e retalho não têm presença digital e 65% continuam sem realizar vendas online.
Os dados surgem no contexto da entrada da Logista Strator em Portugal, plataforma tecnológica especializada na gestão do retalho do grupo Logista, que pretende expandir a sua atividade no mercado nacional através de soluções integradas de gestão, automatização e análise operacional para comércio de proximidade.
Segundo a empresa, a persistência de processos pouco digitalizados continua a limitar a eficiência operacional, a capacidade de crescimento e a competitividade de muitos pequenos negócios do setor, num momento em que o comércio enfrenta maior pressão sobre custos, margens e recursos humanos.
“Portugal é um mercado com grande potencial de crescimento, mas também com desafios estruturais ao nível da digitalização e da eficiência operacional”, afirma Carlos Vasques Guedes, Diretor-Geral da Logista Strator Iberia. O responsável considera existir “uma oportunidade clara para apoiar o comércio de proximidade na transição para modelos mais integrados e orientados para dados, com impacto direto na rentabilidade”.
O setor do comércio e retalho registou crescimentos superiores a 3% em 2025, segundo dados da Eurostat citados pela empresa, mas a maturidade tecnológica continua a variar significativamente entre operadores. A fragmentação do mercado e a coexistência de sistemas isolados continuam a dificultar a centralização de operações, o controlo financeiro e a utilização de dados para tomada de decisão.
A Logista Strator refere que a automatização de processos, nomeadamente na gestão de numerário, assume um papel cada vez mais relevante na redução de custos operacionais e na melhoria da eficiência, sobretudo em negócios de proximidade com estruturas mais reduzidas.
A entrada da empresa em Portugal faz parte da estratégia de consolidação ibérica do grupo Logista, que já opera em vários mercados europeus e conta em Espanha com mais de 9.000 clientes e 10.000 terminais ativos na área tecnológica aplicada ao retalho.
Num contexto marcado pela crescente digitalização do consumo, pela integração de canais físicos e online e pela necessidade de maior eficiência operacional, a transformação tecnológica do pequeno retalho continua a ser um dos principais desafios do setor em Portugal.