IA entra no núcleo das operações das empresas portuguesas, impulsionando eficiência e transformação, mas com desafios na integração de sistemas
A inteligência artificial está a deixar de ser uma camada experimental para passar a integrar o núcleo das operações das empresas portuguesas, num movimento que combina dados, processos e tecnologia para reforçar a eficiência e a capacidade de decisão.
Esta transição foi evidenciada durante o
SAP Connect Day Portugal, onde várias organizações partilharam projetos em curso que ilustram a passagem de uma lógica de adoção pontual para uma integração estrutural da IA nos sistemas de gestão.
Na Mota-Engil, a transformação passa pela migração de sistemas para ambientes cloud e pela reorganização do reporting executivo, com o objetivo de preparar a empresa para a utilização de inteligência artificial em escala. Num grupo com presença internacional e elevado volume de dados, a gestão do legado tecnológico surge como o principal desafio.
Também a Fidelidade está a seguir uma abordagem faseada, centrada primeiro na consolidação de dados e processos, antes da introdução de soluções de IA. A estratégia assenta numa base tecnológica em cloud e numa governação estruturada, refletindo a complexidade da transformação em organizações com múltiplas geografias e sistemas históricos.
Na indústria, a Cimpor aposta na digitalização da cadeia de abastecimento para responder à volatilidade global, enquanto a Bondalti destaca a necessidade de adaptação contínua dos modelos operacionais face à instabilidade das cadeias de valor.
Já o Pestana Hotel Group tem vindo a modernizar as áreas financeiras e de compras, com foco na integração de sistemas e melhoria da qualidade da informação para suporte à decisão, enfrentando desafios relacionados com a gestão de múltiplas localizações e perfis de utilizadores.
Estes exemplos refletem uma tendência transversal: a adoção da inteligência artificial está cada vez mais dependente da qualidade dos dados, da integração dos sistemas e da capacidade das organizações para gerir a mudança interna.
Segundo responsáveis da SAP, a IA está a assumir o papel de “sistema operativo” das organizações, suportada por dados fiáveis e integrada nos processos de negócio, num contexto em que a competitividade depende cada vez mais da capacidade de transformar informação em decisões.
A evolução em curso sugere que a vantagem competitiva deixará de estar apenas na adoção da tecnologia, passando a depender da forma como as empresas conseguem integrar a inteligência artificial de forma consistente e alinhada com o negócio.