O talento feminino qualificado em Portugal já representa mais de metade da força de trabalho com formação elevada, mas continua longe dos cargos de decisão nas empresas. Uma análise divulgada pela Randstad indica que as mulheres representam 59,1% do capital humano qualificado no país, colocando Portugal entre os três países europeus com maior proporção de mulheres com qualificações superiores.
Apesar deste peso no mercado de trabalho, apenas 15,7% dos cargos de CEO e de direção executiva nas maiores empresas portuguesas são ocupados por mulheres. O estudo, divulgado no contexto do Dia Internacional da Mulher, aponta para uma discrepância persistente entre qualificação e acesso a posições de liderança.
Segundo Isabel Roseiro, diretora de marketing da Randstad Portugal, os dados mostram que a progressão profissional continua condicionada por fatores estruturais do mercado de trabalho. “Apesar de termos uma fatia tão grande de talento altamente qualificado, a falha na progressão para lugares de topo, aliada à disparidade salarial e ao impacto dos cuidados familiares, mostra que a paridade real no mercado de trabalho ainda não foi alcançada”, afirma.
Setores e organização do trabalho continuam a marcar diferenças
A análise identifica também uma forte concentração do talento feminino em determinados setores. As mulheres estão mais presentes nas áreas de saúde e apoio social, onde representam 16,5% do emprego, e na educação, com 12,9%, enquanto os homens dominam setores como a indústria e a construção.
O relatório aponta ainda para uma diferença salarial média de 17,3%, equivalente a cerca de 205 euros mensais, com a média masculina a situar-se nos 1.388 euros e a feminina nos 1.183 euros.
A organização do tempo de trabalho surge igualmente como um fator relevante. As mulheres representam 62,9% dos trabalhadores em regime de part-time, sendo que 8,5% das mulheres com filhos trabalham a tempo parcial, mais do dobro da proporção registada entre os homens.
O desafio empresarial da gestão de talento
Para muitas empresas, estes dados colocam uma questão estratégica: como transformar um mercado de trabalho com elevado nível de qualificação feminina em liderança efetiva dentro das organizações.
À medida que a competição por talento se intensifica, a capacidade das empresas para criar percursos de progressão profissional, reter profissionais qualificados e integrar diversidade na liderança poderá tornar-se um fator cada vez mais relevante para a competitividade e para a inovação organizacional.