Telecomunicações tornam-se o epicentro da revolução da IA, com investimento até 20% e impacto transformador, segundo a KPMG
As telecomunicações estão a liderar a adoção de inteligência artificial, com investimento crescente e impacto direto na transformação do modelo de negócio do setor, segundo a KPMG.
As empresas de telecomunicações estão a assumir um papel central na transformação impulsionada pela inteligência artificial, num movimento que ultrapassa a simples adoção tecnológica e aponta para uma redefinição estrutural do setor. Segundo o estudo
“Technology & Telecommunications CEO Outlook 2025”, da KPMG, 62% dos líderes acreditam que a IA agêntica terá um impacto transformador nas suas organizações.
Mais do que uma tendência, trata-se de uma mudança de posicionamento. O relatório indica que as telecoms estão a canalizar entre 10% e 20% dos seus orçamentos para inteligência artificial, evidenciando a prioridade estratégica desta tecnologia. Esta aposta é acompanhada por expectativas claras de retorno: 84% dos CEO antecipam resultados positivos do investimento em IA no prazo de três anos.
A transformação em curso não se limita à eficiência operacional. A integração de IA nas redes, na gestão de dados e na relação com o cliente está a empurrar as operadoras para um novo papel na economia digital. “A IA autónoma é capaz de tomar decisões, antecipar falhas, personalizar ofertas em tempo real e redefinir a experiência do cliente”, afirma Diogo Eloi de Sousa, Partner de Advisory e Head of Telcos da KPMG Portugal.
De acordo com o estudo, a integração de IA (33%) e a disrupção tecnológica (32%) são já os principais fatores a influenciar as decisões estratégicas do setor. Este contexto está a acelerar a evolução das telecomunicações de operadores de infraestrutura para plataformas digitais inteligentes, capazes de oferecer serviços mais personalizados, resilientes e orientados por dados.
Apesar do otimismo, o relatório identifica obstáculos relevantes. A cibersegurança surge como o principal fator de pressão no curto prazo, referida por 39% dos líderes, refletindo a crescente sofisticação das ameaças digitais. Em paralelo, a escassez de talento continua a limitar a velocidade de adoção: 45% dos CEO reconhecem que a falta de competências técnicas é um entrave à implementação da IA.
Para responder a este desafio, as empresas estão a reconfigurar as suas equipas e a investir em formação. O estudo indica que 49% das organizações já estão a apostar na qualificação em inteligência artificial, enquanto uma parte significativa está a realocar colaboradores para funções ligadas a tecnologias avançadas.
Num setor historicamente associado à infraestrutura, a mudança é profunda. As telecomunicações não estão apenas a modernizar redes ou a otimizar operações — estão a reposicionar-se no centro da economia digital, num processo em que a inteligência artificial funciona como catalisador de novos modelos de negócio, maior eficiência e vantagem competitiva.
A leitura do estudo da KPMG sugere que esta transformação não será gradual. Num contexto de forte investimento, pressão regulatória e exigência crescente em matéria de segurança e sustentabilidade, as telecomunicações surgem como um dos principais motores da próxima vaga tecnológica, com impacto direto na forma como empresas e consumidores utilizam serviços digitais.