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António Novaes: transformar falhas em método

Bruno Perin
Bruno Perin
Atualidade
21 Mai 2026

António Novaes explica como falhas em parcerias e patrocínios ajudaram a criar método, escala e disciplina na Campus Party.
Em entrevista conduzida por Bruno Perin para o Empreendedor, António “Tonico” Novaes, fundador e CEO da Next Gen Experience e responsável pela produção da Campus Party no Brasil, explica como experiências negativas com sócios, mudanças no patrocínio e a pressão da pandemia ajudaram a consolidar uma abordagem baseada em planeamento, diversificação e eficiência operacional.

António “Tonico” Novaes aprendeu cedo que a falta de foco numa parceria pode deixar marcas profundas num negócio. Mas, no seu caso, essa experiência acabou por se transformar numa escola de gestão. O fundador e CEO da Next Gen Experience, agência de eventos B2C focada em públicos entre os 18 e os 35 anos, defende que os obstáculos mais difíceis foram também aqueles que mais contribuíram para estruturar o seu método de trabalho.

À frente da Campus Party Brasil durante uma década, entre 2015 e 2025, António Novaes expandiu o evento para 12 dos Estados brasileiros. Além disso, durante a pandemia, liderou a equipa da edição global e esteve envolvido na organização da Campus Party Portugal, que alcançou a quinta melhor audiência mundial, apesar de nunca ter tido antes uma edição presencial no país.

Com experiência em festivais internacionais como Creamfields UK, Pacha Espanha e Big Beach Boutique by Fatboy Slim, António Novaes construiu uma carreira marcada pela gestão de eventos, patrocínios e ecossistemas de inovação. A sua formação em Administração, com ênfase em eventos, a especialização em patrocínios para entretenimento e a certificação pela Meeting Planners International ajudaram a consolidar essa visão.



A disciplina que nasceu da falta de foco

Para António Novaes, uma das aprendizagens mais relevantes surgiu de uma parceria difícil. Em vez de a tratar apenas como uma experiência negativa, o gestor transformou-a num ponto de viragem.

“Quando tive um sócio muito desfocado, isso ajudou-me a valorizar o planeamento”, afirmou. “Trabalhar com o governo fez-me trabalhar tudo direitinho com o plano, 30% do tempo a planear. Por isso, preciso de seguir isso.”

A partir dessa experiência, o responsável passou a valorizar de forma mais rigorosa a preparação prévia, os processos e a definição de etapas. Segundo explicou, reservar uma parte significativa do tempo ao planeamento tornou-se essencial para gerir operações complexas e simultâneas.

Essa disciplina ganhou peso à medida que a Campus Party Brasil aumentou a sua presença territorial. A expansão para 12 estados exigiu capacidade de coordenação, controlo e adaptação a diferentes contextos locais.



Da quebra de patrocínios à expansão territorial

Outro momento decisivo surgiu quando grandes patrocinadores deixaram de apoiar o evento. Num setor em que o financiamento privado costuma ser determinante, António Novaes procurou uma alternativa no relacionamento com governos estaduais.

“Na Campus Party, com a saída de grandes patrocinadores, em 10 anos passei por 12 estados. Fomos atrás da expansão”, explicou. “O patrocínio privado não estava a funcionar, então encontrei uma maneira de o governo entrar. Foi bom porque os governos acharam interessante, pois incentivava a comunidade. Encontrei um filão único.”

A experiência como membro do Conselho Executivo da Secretaria de Desportos do Estado de São Paulo, entre 2019 e 2022, deu-lhe contacto direto com a forma como o setor público avalia iniciativas ligadas à inovação, juventude e tecnologia. Nesse contexto, a Campus Party passou a ser apresentada não apenas como um evento, mas como uma plataforma de ativação de comunidades locais.

A diversificação de fontes de apoio tornou-se, assim, uma resposta à instabilidade do patrocínio privado. Em vez de depender apenas de marcas, António Novaes procurou enquadrar o evento numa lógica de desenvolvimento de ecossistemas regionais.



A pandemia acelerou a eficiência operacional

A pandemia colocou uma nova pressão sobre a organização de eventos. Para António Novaes, a coordenação da Campus Party Global obrigou a repensar processos, equipas e ferramentas. A resposta passou por maior digitalização interna e pela criação de mecanismos para tornar a operação mais ágil.

“Começámos a usar IA há pouco tempo, temos um comité de tecnologia e processos digitais”, referiu. “Hoje o objetivo é tornar todas as áreas mais ágeis, por exemplo, como automatizar os orçamentos, como fazer o início do processo de vendas.”

A utilização de inteligência artificial surge, neste caso, menos como discurso tecnológico e mais como ferramenta de eficiência. O foco está na automatização de tarefas operacionais, como orçamentos e processos comerciais iniciais, libertando as equipas para funções de maior valor relacional e estratégico.

Essa abordagem liga-se à experiência acumulada na gestão de eventos em diferentes mercados e com múltiplos stakeholders. Para António Novaes, a escala exige método, mas também capacidade de adaptação. A Next Gen Experience, que integra projetos como Campus Party, Pixel Show, Printer Chef, Gamix Brasil e Gov Summit, reflete essa tentativa de transformar aprendizagem acumulada em portefólio diversificado.

Mais do que evitar erros, António Novaes defende que as empresas devem ser capazes de os sistematizar. No seu percurso, sócios desalinhados, crises de patrocínio e operações em contexto pandémico funcionaram como momentos de exigência. A resposta foi convertê-los em processos, planeamento e novas formas de crescimento.

Bruno Perin
Bruno Perin
Bruno Perin é Entrevistador no Brasil para o Empreendedor.com e colabora em Séries Temáticas. Empreendedor, consultor, palestrante e escritor. Autor do livro – A Revolução das Startups. Pioneiro na combinação dos conhecimentos em Startup, Empreendedorismo, Marketing e Comportamento Jovem alinhado a Neurociência. Busca das formas mais diferentes, malucas e inusitadas possíveis desenvolver pessoas e negócios que façam a diferença no mundo, de jeito divertido, valorizando a vida e o agora.
Nunca se deixe limitar pelas imaginações limitadas das outras pessoas
Mae Jemison
Engenheira Americana, Astronauta da NASA
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