Build to Rent e industrialização apontados como solução
Empreendedor.com
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Apr 30, 2026
Build to Rent e industrialização são apontados como solução para a crise da habitação em Portugal, segundo o Grupo Casais.
A crise da habitação em Portugal exige uma mudança estrutural no modelo de construção, com aposta no arrendamento profissional e na industrialização como soluções para aumentar a oferta e garantir escala.
A posição foi defendida por António Carlos Rodrigues, CEO do Grupo Casais, durante a conferência “Build to Rent: Da Oportunidade à Execução”, realizada no âmbito do Salão Imobiliário de Portugal (SIL), em Lisboa, a 29 de abril de 2026.
Segundo António Carlos Rodrigues, o principal bloqueio do mercado não está na falta de capital, mas na capacidade de execução. “O problema da habitação em Portugal é evidente, sendo marcado por uma falta estrutural de oferta face a um crescimento positivo da procura”, afirmou, sublinhando que é necessário passar “do discurso à execução”.
Para o CEO da empresa, o modelo Build to Rent — centrado na construção para arrendamento e não para venda — representa uma resposta estrutural à nova realidade do mercado, marcada por maior mobilidade laboral e menor capacidade de aquisição por parte das famílias. Esta abordagem implica uma mudança de paradigma, privilegiando o uso contínuo dos ativos e o seu ciclo de vida, em vez da lógica tradicional de transação.
António Carlos Rodrigues alertou ainda para a inadequação da legislação atual, referindo que regras como a obrigatoriedade de lugares de estacionamento podem inviabilizar projetos ajustados a modelos urbanos mais sustentáveis e a novos perfis de residentes.
Outro dos desafios críticos identificados prende-se com a escassez de mão de obra no setor da construção. Segundo o responsável, 34% dos trabalhadores têm mais de 54 anos e deverão sair do mercado na próxima década, sem que exista renovação suficiente por parte de profissionais mais jovens.
Neste contexto, a construção industrializada surge como condição essencial para garantir escala e previsibilidade. “Sem a industrialização da construção, não haverá escala”, afirmou, defendendo que este modelo permite reduzir prazos, aumentar a qualidade e mitigar riscos, apesar de exigir investimento inicial significativo.
A intervenção incluiu ainda a referência a uma parceria com a Sonae Sierra para o desenvolvimento de projetos Build to Rent em Portugal, apontada como um passo para acelerar a implementação deste modelo no mercado nacional.
O responsável concluiu com um apelo à colaboração entre os vários agentes do setor, defendendo que a criação de escala será determinante para adaptar o enquadramento regulatório e fiscal às novas exigências da habitação.
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