Estudo da Adyen mostra que 81% dos retalhistas aceitam IA no checkout, mas receios de fraude e privacidade travam consumidores.
A maioria dos retalhistas em Portugal está aberta a permitir que a inteligência artificial conclua compras em nome dos clientes, mas a desconfiança dos consumidores no checkout continua a travar a adoção, revela um estudo da Adyen.O retalho digital em Portugal está recetivo à automatização das compras com recurso à inteligência artificial, mas enfrenta uma barreira central: a confiança dos consumidores no momento do pagamento. Segundo
um estudo da Adyen, 81% das empresas de retalho nacionais estão abertas a permitir compras totalmente geradas por IA, enquanto 39% identificam esta tecnologia como uma prioridade estratégica para os próximos 12 meses.
Do lado dos consumidores, a abertura é mais cautelosa. A análise indica que 39,2% dos portugueses estão dispostos a permitir que um assistente de IA faça a gestão de todo o processo de compra, incluindo a transação final. Em sentido contrário, 32,1% rejeitam essa possibilidade. A resistência é particularmente expressiva entre a Geração Z, onde 35,2% dos inquiridos se mostram contra a delegação total do pagamento na IA.
A desconfiança está ligada sobretudo à perda de controlo e à segurança. De acordo com o estudo, 57,8% dos consumidores preferem pesquisar e tomar a decisão final por si próprios, 50,2% manifestam preocupação com a privacidade dos dados e a fraude, e 40,3% receiam que a tecnologia possa encomendar tamanhos, cores ou produtos errados.
O paradoxo é que a exigência de segurança convive com baixa tolerância à fricção no pagamento. Em Portugal, 22,6% dos consumidores admitem abandonar o carrinho de compras online se os controlos de segurança, como códigos SMS bancários ou palavras-passe, forem demasiado complexos ou falharem. Além disso, 29,8% desistem da compra se o site os obrigar a criar uma conta antes de pagar.
As redes sociais continuam, entretanto, a ganhar peso no consumo digital. O estudo da Adyen indica que 34,5% dos portugueses já utilizam estes canais para fazer compras, valor que sobe para 43,4% entre a Geração Z e para 37,5% entre os Millennials. A recomendação social também influencia a decisão: 56,4% dos jovens da Geração Z e 46,7% dos Millennials mostram-se mais propensos a comprar um produto recomendado por amigos ou influenciadores.
Para Carlo Bruno, vice-presidente de Produto da Adyen, o principal obstáculo à automatização não está apenas na tecnologia. “O maior obstáculo ao comércio automatizado não é a tecnologia de IA em si, mas sim a construção da confiança necessária para a utilizar”, afirma.
O estudo foi realizado pela Censuswide para a Adyen junto de 2.000 consumidores em Portugal, com idade igual ou superior a 16 anos, entre 6 e 13 de maio de 2026. A análise aos retalhistas ouviu 500 empresas em Portugal entre 5 e 20 de maio.