Ranking da PlayersTime coloca Portugal no top 5 europeu de crescimento potencial, mas aponta pressão habitacional como desafio
Portugal surge em 5.º lugar num ranking da PlayersTime sobre crescimento potencial em 31 países europeus, que cruza indicadores de demografia, inovação, economia, startups e habitação.Portugal surge entre os cinco países europeus mais bem posicionados num
ranking da PlayersTime sobre crescimento potencial em 2026. A análise avaliou 31 países europeus com base em 11 indicadores, incluindo crescimento populacional, ecossistema de startups, pedidos de patentes, emprego em alta tecnologia, produtividade, evolução salarial e preços da habitação.
Segundo a PlayersTime, Espanha lidera a classificação, seguida pelos Países Baixos, França e Irlanda. Portugal ocupa o 5.º lugar, à frente de Itália, Suécia, Noruega, Eslovénia e Bélgica, que completam o top 10. A empresa apresenta o ranking como uma leitura composta sobre desenvolvimento, inovação e capacidade de crescimento, e não como uma medição direta do crescimento económico.
No caso português, o relatório destaca a combinação entre qualidade de vida, atratividade internacional, crescimento da população em idade ativa e dinamismo de cidades como Lisboa e Porto. A PlayersTime refere que Portugal continua a atrair compradores internacionais e profissionais em trabalho remoto, num contexto de expansão económica moderada e crescente visibilidade externa.
A análise assinala, contudo, que essa atratividade está a ser acompanhada por desafios de acessibilidade habitacional. De acordo com o relatório, a pressão sobre a habitação tem aumentado, apesar de Portugal manter preços urbanos que a PlayersTime estima em cerca de 3.700 euros por metro quadrado nos centros das cidades. O estudo refere ainda um crescimento de 1,5% da população em idade ativa.
O ranking enquadra Portugal num grupo de economias europeias em que a qualidade de vida, a atração de talento e a atividade empresarial pesam cada vez mais na avaliação do potencial de desenvolvimento. A leitura da PlayersTime surge num contexto em que a Europa procura reforçar o investimento em inovação, incluindo no setor deep tech, onde o relatório refere mais de 15,5 mil milhões de euros de financiamento canalizado para empresas europeias.
A empresa refere ainda a criação de um fundo europeu de 5 mil milhões de euros para apoiar scaleups e a existência de um défice de investimento de vários biliões de euros (trillions, na escala curta anglo-saxónica), o que está a levar governos europeus a competir de forma mais ativa pela captação de capital, talento e inovação.
Silvana Vladimirova, autora e analista de dados da PlayersTime, afirma que a liderança de Espanha no ranking desafia a leitura tradicional sobre onde se situam as economias europeias mais dinâmicas. Segundo a responsável, o desempenho passa a ser medido não apenas pela produção económica, mas também pela combinação entre demografia, criação de empresas e fatores de qualidade de vida capazes de atrair pessoas, capital e oportunidades.
A PlayersTime afirma ter usado dados de fontes internacionais como Eurostat, International Labour Organization, Numbeo e StartupBlink. Ainda assim, por se tratar de um índice composto desenvolvido pela própria empresa, os resultados devem ser lidos como uma perspetiva sobre potencial de crescimento e não como uma classificação oficial do desempenho económico dos países europeus.