ENPT
News
Account
LoginRegister
AboutHelp
🎟
News
LoginRegisterdropdown-dividerAboutHelp

News Item 

  • All
  • News
  • Entrepreneurship
  • Economy
  • Technology
  • Companies
  • Events
  • Guides
  • Interview
Back Portugal tem redes, mas falta capacidade para a economia digital

Portugal tem redes, mas falta capacidade para a economia digital

Empreendedor.com
Empreendedor.com
News
May 9, 2026

Infraestruturas digitais em Portugal exigem mais investimento, capacidade e resiliência para responder à economia da IA.
Portugal parte de uma posição relevante em infraestruturas digitais, com boa cobertura de fibra, redes móveis em expansão, novos data centers e uma localização atlântica reforçada por cabos submarinos. Mas o debate no 35.º Digital Business Congress da APDC deixou um alerta claro: cobertura não é o mesmo que capacidade.

A economia digital que está a emergir, marcada pela inteligência artificial, pelo crescimento dos data centers, pelo aumento do tráfego de dados e pela necessidade de redes mais resilientes, exigirá mais investimento, menos bloqueios administrativos e maior coordenação entre entidades públicas e privadas. Sem essa resposta, Portugal pode chegar à próxima fase digital com bons indicadores de cobertura, mas sem infraestruturas suficientemente robustas para sustentar a escala necessária.



Cobertura não chega

A sessão “The State of the Nation of Digital Infrastructures”, integrada no 35.º Digital Business Congress da APDC, centrou-se nos desafios enfrentados pelas empresas que fornecem infraestruturas críticas de comunicações. Uma das ideias mais relevantes foi a diferença entre ter redes disponíveis e ter redes preparadas para absorver a procura futura.

Portugal tem hoje níveis elevados de cobertura em fibra e 5G. Mas essa realidade não elimina a necessidade de densificar redes, reforçar redundância, melhorar a conectividade indoor e aumentar a capacidade nas grandes rotas de dados. A expansão da IA, o crescimento dos data centers e o aumento contínuo da utilização de serviços digitais vão pressionar tanto as redes fixas como móveis.

Pedro Rocha, representante da FastFiber, sublinhou que Portugal está bem posicionado na fibra face a outros países europeus. A empresa cobre já perto de seis milhões de casas. Ainda assim, o desafio deixou de ser apenas levar fibra a mais locais. Passa por reforçar a capacidade nas ligações a data centers, nas interligações transfronteiriças com Espanha e nas ligações aos cabos submarinos que colocam Portugal numa posição estratégica no tráfego internacional de dados.

Esta mudança é relevante para a economia portuguesa. As infraestruturas digitais já não são apenas serviços de telecomunicações. São a base física sobre a qual assentam plataformas digitais, aplicações de IA, serviços cloud, comércio eletrónico, indústria conectada, centros de dados, cibersegurança e novos modelos de negócio.



O investimento é o novo bloqueio

Nas redes móveis, João Osório Mora, representante da Cellnex, alertou para uma duplicação do tráfego de dados até 2030, com crescimentos anuais estimados entre 25% e 30%. O problema é particularmente sensível no indoor, onde ocorre cerca de 70% a 80% da utilização efetiva de dados móveis, mas onde a cobertura chega com maior dificuldade.

A consequência é direta: as redes atuais não conseguirão absorver esta procura sem reforço significativo de infraestruturas. Mais tráfego, mais IA, mais vídeo, mais dispositivos conectados e maior dependência de serviços digitais exigem redes mais densas, mais resilientes e com maior capacidade.

O investimento surge, por isso, como uma questão estrutural. João Osório Mora recordou que a Europa tem operadores de telecomunicações com menor escala e menor receita média por cliente do que os Estados Unidos ou a China. Essa diferença traduz-se em menor capacidade para investir nas redes que a nova economia digital exige.

A pressão é agravada pelos custos regulatórios e fiscais. Entre os exemplos referidos esteve o custo das licenças de espectro, que reduz a capacidade de investimento dos operadores. Segundo os dados apresentados, os operadores europeus gastaram cerca de 50 mil milhões de euros em licenças de espectro desde 2020 e, nos próximos 10 anos, cerca de 500 licenças terão de ser renovadas, com valores estimados na ordem dos 30 mil milhões de euros.

A proposta deixada no debate foi substituir parte destes encargos por compromissos diretos de investimento em rede. A lógica é simples: se o objetivo político é garantir cobertura, capacidade e resiliência, o dinheiro deve ser orientado para infraestruturas e não apenas para encargos que retiram margem financeira ao setor.



Licenciamento, energia e data centers

Os bloqueios administrativos foram outro ponto central. Paolo Favaro, representante da Vantage Towers, identificou o licenciamento e as ligações à rede elétrica como obstáculos relevantes no terreno. A ausência de canais preferenciais para infraestruturas críticas, a falta de coordenação entre entidades e a demora dos processos podem atrasar a instalação de novas redes, antenas ou reforços de capacidade.

Este ponto é particularmente importante para Portugal. Não basta definir metas de cobertura ou anunciar estratégias digitais. É necessário criar condições para executar. Se cada infraestrutura crítica tiver de enfrentar processos lentos, dispersos e pouco coordenados, o país arrisca perder velocidade num mercado em que a capacidade de resposta é decisiva.

Nos data centers, Carlos Paulino, representante da Portugal DC, identificou barreiras semelhantes: licenciamento, acesso a potência elétrica, disponibilidade de terrenos adequados, perceção pública, políticas públicas e talento. Portugal tem vantagens competitivas, como localização atlântica, conectividade internacional, cabos submarinos, energia limpa competitiva e potencial para servir a Europa, África e Brasil. Mas essas vantagens só terão impacto económico se os projetos conseguirem sair do papel à velocidade exigida pelo mercado.

A escassez de terrenos em zonas consolidadas, especialmente na área de Lisboa, foi apontada como um entrave ao desenvolvimento de data centers de proximidade. A proposta de criação de zonas previamente identificadas e preparadas para este tipo de infraestruturas, prevista no Plano Nacional de Data Centers, foi vista como um passo positivo. Mas o setor considera essencial passar das orientações para mecanismos operacionais que envolvam administração central, autarquias, AICEP e reguladores.



A resiliência como condição económica

O apagão de abril de 2025 e as tempestades de janeiro deste ano colocaram a resiliência no centro do debate. Os data centers resistiram sem interrupções relevantes, mas o episódio mostrou que as redes de comunicações dependem criticamente da energia elétrica.

Nas redes móveis, onde existem milhares de pontos de presença distribuídos pelo território, não é possível replicar o modelo de redundância dos data centers. Esta diferença torna evidente que a resiliência digital depende também da coordenação entre energia e telecomunicações.

A conclusão é relevante para empresas, Estado e cidadãos. A economia digital não existe apenas no software, na cloud ou na inteligência artificial. Depende de infraestruturas físicas, energia, território, licenças, cabos, antenas, centros de dados e investimento continuado.



As prioridades apontadas pelo setor são claras: uniformizar licenciamentos, criar canais rápidos para infraestruturas digitais críticas, simplificar ligações elétricas, garantir acesso efetivo a condutas e edifícios públicos, adaptar a legislação nacional ao Gigabit Infrastructure Act, promover investimento em redes e substituir encargos improdutivos por compromissos de cobertura, capacidade e resiliência.

O debate do 35.º Digital Business Congress da APDC deixou, por isso, uma mensagem central: Portugal tem uma boa base digital, mas a próxima fase será mais exigente. A competitividade do país dependerá menos da cobertura já alcançada e mais da capacidade de transformar essa base em infraestruturas preparadas para IA, dados, cloud, indústria conectada e serviços digitais de alta intensidade.

Sem investimento, simplificação administrativa e coordenação entre setores, Portugal arrisca ter redes disponíveis, mas insuficientes para a economia digital que pretende atrair.

Empreendedor.com
Empreendedor.com
A Revista do Empreendedor é uma publicação digital independente, sediada em Portugal, que promove o conhecimento prático e estratégico no universo dos negócios.
Choose a job that you like, and you will never have to work a day in your life
Confucius
Chinese philosopher & Politician
Empreendedor.com
Sobre o Empreendedor.com
Estatuto Editorial
Ficha Técnica
Termos de Utilização
Contacts
Contactos
  contacto@empreendedor.com

  • © 2026 Copyright Empreendedor
  • Privacy Policy
  • Cookie Policy
Powered By